Diz o Houaiss
Cortês
adjetivo
1 relativo à corte ('cidade') ou que dela provém
2 refinado, civilizado, urbanizado
3 amoroso, delicado nas palavras, gestos, atitudes; gentil, educado
Interessante.
Escrito por Renée às 12h25
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Eu em Sampa

São Paulo, quem diria, foi eleita a quarta cidade mais cortês do mundo, ao lado de Berlim e Zagreb e atrás de Nova York, Zurique e Toronto. Foi a revista americana Reader's Digest que fez a pesquisa, em cidades grandes de 35 países. Para chegar ao resultado, os repórteres da publicação se basearam em três provas de cortesia, avaliando se alguém seguraria uma porta aberta, ajudaria um desconhecido a recuperar documentos caídos no chão e se os balconistas agradeceriam ao freguês após uma compra.
Na Big Apple, quatro entre cada cinco nova-iorquinos foram aprovados nos testes de cortesia, segundo a revista, que cita porcentagens: 90% na prova da porta, 55% na dos documentos no chão e 19 em 20 balconistas na de serviço. Reunindo todos os países, foram realizados mais de 2.000 testes de comportamento e ficou constatado que as pessoas com menos de 40 anos costumam ser mais corteses e que os homens, assim como as mulheres, costumam agir com mais cortesia entre si. O resultado estará nas 50 edições mundiais da Reader's Digest de julho. O link para o site brasileiro está aqui.
Sinceramente, não sei se levo muita fé em uma avaliação de cortesia que realiza apenas três tipos de testes. Nunca estive em Nova York, mas será que, na cidade que nunca dorme, realmente há tempo para gentilezas? Por dois anos, lidei à distância com paulistas e, posteriormente, morei alguns meses em São Paulo. Não lembro de tê-los achado, assim, tão corteses. Não pensem que é bairrismo, porque me apresso em dizer que a palavra cortesia não costuma fazer parte do vocabulário do carioca. Basta dar uma voltinha pelo Centro, em horário comercial, entrar em um ônibus cheio, no fim do dia, dirigir, na hora do rush, ou assistir a alguma estréia, em um dos complexos de cinemas da Barra, para ter uma idéia. A não ser que estivesse vestindo uma calça da Gang, pensaria inúmeras vezes antes de deixar meu lencinho cair no chão. Entretanto, dessa maneira, junto com o lenço acabaria recebendo também comentários não necessariamente elogiosos.
Na minha opinião, cortesia mesmo a gente não costuma encontrar em metrópoles, mas nas cidades pequenas. O tempo na cidade grande é outro, bem mais veloz, e todos correm de um lado para o outro e contra o relógio. Preocupados apenas consigo mesmos, como podem dar-se o luxo de olhar para alguém e praticar a cortesia? As cidades pequenas ainda não foram contamidas por essa maneira de agir. Nelas, as pessoas sentem-se tão satisfeitas em tratar bem como nós ficamos felizes por ser ajudados. Isso sim é ser cortês.
De qualquer maneira, continuo querendo conhecer a frenética Nova York.
Escrito por Renée às 16h33
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De volta à normalidade
Acabo de chegar da rua. As cornetas voltaram e há também perucas, camisetas e buzinas, tudo no mais patriota verde e amarelo. Não comprei nada, vou ser uma torcedora de cara limpa. Mas é bom saber que a normalidade reina. Pelo menos até terça-feira. 
Escrito por Renée às 13h48
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Pra frente Brasil, salve a seleção!

Há dias trabalho ao som de cornetas. São os ambulantes anunciando a proximidade da Copa do Mundo, vendendo o kit para torcer pela seleção. Hoje ainda não ouvi o barulho uma só vez. Acho que quase todo mundo deve estar assistindo à abertura da Copa e as ruas devem até estar mais vazias do que de costume.
Copa do Mundo é uma loucura no Brasil. Sei que não estou dizendo nenhuma novidade, mas isso ainda me impressiona e acho que impressionará sempre. É incrível como, nessa época, os brasileiros não pensam em outra coisa a não ser futebol, mobilizam-se para decorar ruas, fazem promessas e simpatias, tiram do fundo do armário o amuleto que acreditam ter contribuído para a conquista de títulos anteriores. A alegria é bonita, um mundo sem esse tipo de festa seria muito aborrecido, mas duas coisas incomodam: aqueles que, de uma hora para outra, viram torcedores desde criancinha e a obrigação de torcer pelo Brasil, independente de qualquer coisa.
Em época de Copa do Mundo, gente que nunca assiste a um jogo ou não acompanha discussões sobre futebol vira, de repente, especialista no assunto. Sabe quem deve ser convocado, quem precisa ser escalado e qual a melhor tática contra cada adversário. Ao que parece, não existe cargo com menos pré-requisitos do que o de técnico da seleção brasileira. É um comportamento que faz parte da paixão que a seleção Canarinho desperta no país do futebol, festivo por natureza, e obriga todo brasileiro a ser um torcedor efusivo da pátria de chuteiras. Quem não segue o script, esteja consciente do risco que corre de ser apontado como não patriota, não importando se vota criteriosamente e procura ser um cidadão bem-informado. Então deixa eu pegar minha bandeirinha, vestir minha camisa verde e amarela e demonstrar meu patriotismo, porque, outra oportunidade, só daqui a quatro anos.
Escrito por Renée às 12h35
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